Irina
Saí ainda antes do amanhecer, tomando cuidado para não chamar atenção. Depois do que aconteceu com meu irmão, qualquer movimento fora do padrão poderia ser interpretado como sentença de morte. Eu não podia cometer erros. Não agora.
Minha mãe estava sentada na sala quando passei pela porta. Os olhos inchados e vermelhos denunciavam uma noite inteira em claro. Ela não chorava mais. O choro havia passado da dor para o vazio — e isso me destruiu por dentro. Foi aquela imagem que me empurrou para frente. Não coragem. Necessidade.
Eu precisava falar com Kenji.
O encontro aconteceu em um local discreto, longe de olhares curiosos. Kenji parecia confortável demais para alguém que quase havia perdido a cabeça em território controlado pela máfia russa. Quando me viu, abriu um sorriso lento, calculado.
Kenji:
— Se eu soubesse que você era tão bonita, teria negociado diretamente com você. A conversa teria sido muito mais agradável.
Não reagi.
Irina:
— Não estou aqui para ouvir comentários. V