Narrado por Dmitri
O rádio vibrou na minha mão.
A voz do operador veio firme, baixa, do jeito que eu tinha exigido.
Operador:
— Don, confirmação visual. Marcello e Yakov estão no setor A do galpão.
As três mulheres no setor C.
Caminho limpo.
Era o suficiente.
Era o que eu precisava.
Um nó quente subiu pela minha garganta — aquele tipo de impulso que, se eu deixasse escapar, acabava com o galpão inteiro em segundos.
Mas eu contive.
Controle é o que separa um Don de um animal.
Ergui o rádio.
Dmitri:
— Alfa, Beta e Delta…
Entrem.
O silêncio foi quebrado por botas correndo em sincronia.
Armas levantadas.
Sinais feitos com os dedos.
O barulho metálico da fechadura sendo quebrada.
E então — o estrondo.
A porta principal voou pro lado como se tivesse sido arremessada pelo próprio inferno.
O cheiro de poeira, gasolina e metal tomou o ar.
Luzes táticas cortaram a escuridão.
E os gritos começaram.
Eu entrei logo atrás da primeira equipe, arma levantada, sem piscar.
O galpão era maior por dentro