Narrado por Dmitri
A noite parecia mais pesada do que deveria ser. A lua mal aparecia atrás das nuvens, e o vento cortava como lâmina. O carro blindado avançava pela estrada de terra que levava ao porto velho — e eu tinha o mapa do galpão gravado na cabeça como se fosse a planta da minha própria casa.
Nada de erros.
Nada de precipitação.
Nada de dar vantagem a Marcello.
Porque do outro lado daquela parede — eu sabia — minha mulher estava com medo.
E eu só respirava porque ainda acreditava que ela estava viva.
Quando chegamos à última curva, vi as luzes das equipes já posicionadas.
Carros camuflados.
Homens disfarçados entre os contêineres abandonados.
Armas prontas, silenciosas, fatais.
Era assim que a máfia russa se preparava para a guerra: sem gritos, sem barulho, sem espetáculo.
A gente cercava o inferno com calma e depois incendiava tudo ao mesmo tempo.
O rádio chiou.
Operador:
— Don Volkov, Equipe Alfa posicionada.
Visual claro do galpão. Nenhum movimento externo.
Dmitri:
— Perma