Narrado por Mikhail
A casa estava silenciosa demais desde a invasão.
Catarina dormia no quarto, exausta, e eu ainda sentia o cheiro da pólvora impregnado nas paredes.
Andava de um lado para o outro, tentando convencer a mim mesmo de que aquilo não voltaria a acontecer — mas eu sabia que ia.
Yakov não desistiria. Nem Marcello.
O telefone vibrou sobre a mesa.
Olhei o número e soube antes mesmo de atender.
Mikhail: — Dmitri.
Dmitri: — Você parece acabado.
Mikhail: — Estou vivo, o que já é uma vitória.
Ele riu do outro lado, mas não foi um riso de verdade.
Dava pra sentir o peso na voz.
Dmitri: — Precisamos conversar.
Mikhail: — Já conversamos hoje cedo.
Dmitri: — Não o suficiente.
Suspirei, me jogando na poltrona. Eu já sabia o tom — quando ele falava daquele jeito, era porque vinha algo que eu não ia gostar.
Mikhail: — Fala logo.
Dmitri: — A sua casa não é mais segura.
Mikhail: — Eu aumentei a segurança, dobrei os homens.
Dmitri: — E Yakov dobrou o ódio. Você não entende, Mikhail, ele v