Capítulo 27

Carol

Cinco meses. Cinco meses desde que o mundo desmoronou na arena, desde que a poeira vermelha engoliu Antony e meu coração parou com ele. O hospital é uma prisão de paredes brancas, o cheiro de antisséptico agarrado à minha pele, um lembrete constante do que perdi naquela noite. O quarto de Antony é um túmulo de silêncio, cortado apenas pelo bip cruel do monitor cardíaco e pelo zumbido baixo do ventilador no canto. A luz fria das fluorescentes banha tudo em um tom pálido, destacando a curva pesada da minha barriga, que carrega não só nosso bebê, mas o peso de um futuro que ameaça escapar entre meus dedos.

Sento-me na cadeira ao lado da cama, o tecido áspero arranhando minhas coxas, a bolsa de crochê que trouxe de Ubatuba jogada aos meus pés como um pedaço de casa que não me consola mais. Minha mão repousa na barriga, sentindo os chutes do bebê — pequenos socos que são ao mesmo tempo uma promessa de vida e uma facada no peito. “Você precisa conhecer ele”, sussurro, a voz tremendo
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