Mundo de ficçãoIniciar sessãoLívia Monteiro nunca teve sorte no amor, mas tinha um sonho que ninguém poderia tirar dela: ser mãe. Depois de recorrer a um procedimento de fertilização, ela finalmente consegue engravidar. O que não sabe é que um erro durante o processo fez com que ela carregasse o filho de um homem que sequer conhece. Nove meses depois, nasce Aurora. Uma menina de olhos dourados, força incomum e um estranho poder que começa a despertar desde os primeiros dias de vida. Lívia acredita que tudo não passa de uma anomalia genética. Até que homens misteriosos começam a procurá-la. Enquanto isso, Dante Valerius, o temido Alfa Supremo, começa a sentir uma presença que desperta seu lobo depois de anos adormecido. Ele não sabe quem é a criança, nem quem é sua mãe. Mas sabe de uma coisa: seu herdeiro nasceu. Quando Dante finalmente descobre a verdade, sua vida vira de cabeça para baixo. Ele tem uma filha. Uma filha que nasceu de um procedimento que jamais deveria ter acontecido. E uma mulher humana é a mãe dela. Lívia se recusa a entregar Aurora ao desconhecido que aparece alegando ser seu pai. Dante, acostumado a ser obedecido por todos, encontra pela primeira vez alguém que não se curva diante de sua autoridade. O que nenhum dos dois sabe é que Aurora não é apenas uma herdeira. Ela é a chave de uma antiga profecia. E existem pessoas dispostas a destruir tudo para impedir que a menina descubra quem realmente é. Entre segredos, perigos e uma ligação impossível de ignorar, Lívia terá que decidir se pode confiar no homem que surgiu tarde demais em sua vida. E Dante precisará escolher entre ser apenas o Alfa Supremo... ou lutar pela mulher e pela filha que o destino colocou em seu caminho.
Ler maisA primeira coisa que Lívia Monteiro ouviu foi o choro. Forte. Agudo. Inconfundível. Seu coração disparou.
— É uma menina.
As palavras da médica chegaram até ela como se viessem de muito longe.
Lívia estava exausta, os olhos marejados e o corpo ainda tremendo depois de horas de trabalho de parto. Mas nada disso importava. Ela virou o rosto na direção do pequeno embrulho nos braços da enfermeira. Sua filha.
Durante nove meses, imaginara aquele momento. Imaginara o primeiro choro. O primeiro olhar. O instante em que finalmente seguraria nos braços a criança que havia desejado por tanto tempo.
Mas havia algo estranho. Muito estranho. A enfermeira não se aproximou imediatamente. Permaneceu parada ao lado da médica, olhando para o bebê com uma expressão que Lívia não conseguiu compreender.
— O que aconteceu?
Ninguém respondeu.
Lívia tentou se levantar.
— Quero vê-la.
— Senhora Monteiro, por favor, fique deitada.
— Eu quero minha filha.
A médica trocou um olhar rápido com a enfermeira. Então caminhou até Lívia.
— Sua filha está bem.
— Então por que estão olhando para ela desse jeito?
A médica respirou fundo.
— Porque há algumas características que precisamos investigar.
Lívia sentiu o coração apertar.
— Ela está doente?
— Não sabemos.
A resposta foi suficiente para fazê-la entrar em pânico.
— O que significa que não sabem?
Finalmente, a enfermeira colocou o bebê em seus braços. Lívia olhou para a filha. E esqueceu de respirar. A menina era linda. Tinha cabelos escuros, delicados e surpreendentemente espessos para um recém-nascido. Mas foram os olhos que fizeram Lívia estremecer. Eram de um tom incomum. Um dourado profundo, quase âmbar.
— Isso é normal?
A médica permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Precisamos fazer alguns exames.
Lívia apertou a filha contra o peito.
— Ela é minha.
— Ninguém está dizendo o contrário.
— Então não tirem minha filha de mim.
A voz dela falhou. A médica suavizou a expressão.
— Não vamos tirar.
Lívia baixou os olhos novamente. A pequena menina havia parado de chorar. Estava olhando diretamente para ela. Como se a reconhecesse. Como se soubesse exatamente quem era sua mãe. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Lívia.
— Eu esperei tanto por você...
A menina fechou os dedos minúsculos ao redor do dedo de sua mãe. E Lívia sorriu. Naquele instante, decidiu que nada no mundo poderia separá-las.
Ela só não sabia que, em algum lugar distante dali, existia um homem que nem sequer sabia que aquela criança havia nascido.
Um homem que, anos antes, havia fornecido uma amostra genética para um procedimento médico. Uma amostra que jamais deveria ter sido utilizada. Uma amostra que acabara dentro do corpo de Lívia. E que carregava um segredo capaz de mudar o mundo sobrenatural.
***
Três dias depois, Lívia deixou o hospital. A filha dormia em seus braços enquanto ela atravessava a porta principal. Nenhum homem esperava por elas. Nenhum pai. Nenhuma família.
Apenas sua irmã, Helena, que segurava as lágrimas enquanto caminhava ao lado dela.
— Você escolheu um nome?
Lívia olhou para o bebê.
— Aurora.
— Aurora?
Ela sorriu.
— Porque ela chegou quando eu mais precisava de luz.
Helena tocou delicadamente a cabeça da criança.
— Ela é diferente.
Lívia parou.
— Diferente como?
Helena hesitou.
— Os olhos.
Lívia olhou novamente para a filha.
— O médico disse que algumas crianças nascem com características incomuns.
— E você acredita nisso?
— Preciso acreditar.
Helena não respondeu. Porque havia outra coisa. Uma coisa que nenhum médico conseguira explicar. Aurora tinha uma temperatura corporal estranhamente elevada. Seus batimentos cardíacos eram mais fortes do que o esperado. E, durante a madrugada anterior, uma enfermeira jurara ter visto os olhos da recém-nascida refletirem uma luz dourada no escuro.
Lívia, porém, não queria ouvir teorias. Queria apenas levar a filha para casa.
***
Naquela mesma noite, a milhares de quilômetros dali, Dante Valerius entrou em uma sala onde ninguém ousava falar. Ele era o Alfa Supremo. E todos naquela sala conheciam sua autoridade.
Dante colocou alguns documentos sobre a mesa.
— Começaremos a investigação amanhã.
Um dos homens assentiu.
— Sim, Alfa.
Dante se virou para a janela. A lua cheia iluminava as montanhas. Por algum motivo, sentia uma inquietação que não conseguia explicar. Seu lobo estava agitado. Não era comum.
Durante anos, Dante havia aprendido a controlar cada instinto, cada emoção e cada impulso. Mas naquela noite havia algo diferente. Uma sensação inexplicável. Como se uma parte dele estivesse despertando.
— Alfa?
Dante não respondeu. Seus olhos permaneceram fixos na lua. Então ouviu o rosnado baixo dentro da própria mente. Ela nasceu. Dante franziu a testa.
— Quem?
O lobo não respondeu. Apenas repetiu: A herdeira. Dante fechou os olhos. Ele não sabia quem era a criança. Não sabia onde ela estava. Não sabia sequer que existia.
Mas, naquela noite, pela primeira vez em muitos anos, seu instinto lhe dizia que algo havia mudado.
E ele ainda não fazia ideia de que, em uma pequena casa do outro lado do país, uma recém-nascida de olhos dourados dormia tranquilamente nos braços da mulher que, sem saber, carregava o maior segredo de seu reino.
Lívia havia pensado que sua filha era apenas um milagre. Mas Aurora não era uma criança comum. E quando Dante descobrisse a verdade... nada no mundo seria capaz de impedir o Alfa de encontrar sua filha.
Na cabana, Lívia permanecia diante da janela. A floresta estava silenciosa. Mas, depois de tudo o que havia descoberto, ela já não confiava naquele silêncio. Cada sombra parecia esconder alguma coisa. Cada ruído parecia carregar uma ameaça.Aurora dormia tranquilamente no pequeno berço. Lívia observou a filha. A menina parecia tão pequena. Tão inocente. Era difícil acreditar que dentro daquele pequeno corpo existia uma força capaz de despertar símbolos antigos e provocar mudanças que ninguém conseguia explicar.Lívia levou a mão ao peito. Ainda sentia o peso de tudo o que descobrira. Sua origem. Sua linhagem. Os Caçadores. A profecia. E agora havia Dante. Ela sentiu a presença dele atrás de si.— Você está pensando demais.Lívia não se virou.— Talvez eu tenha
Longe da cabana onde Lívia tentava entender as mudanças que aconteciam em sua vida, uma pequena fogueira ardia no meio de uma clareira escondida entre árvores antigas. As chamas iluminavam apenas parte do rosto do homem que estava sentado diante delas.Gabriel.Ele permanecia imóvel, observando o fogo. Não parecia preocupado. Não parecia com medo. Pelo contrário. Havia satisfação em seu olhar. Como se alguma coisa que esperava há muito tempo finalmente estivesse acontecendo.Gabriel não se virou.— Você demorou.Passos lentos se aproximaram. Um homem encapuzado surgiu entre as árvores. Seu rosto permanecia escondido pela sombra do capuz. Ele parou a poucos metros da fogueira.— Eles descobriram a verdade?Gabriel sorriu.— Ainda não.O homem pareceu aliviado.— Tem certeza?— Tenho.Gabriel pegou um pedaço de madeira e mexeu nas brasas.— Lívia descobriu apenas uma parte do que está acontecendo. Sabe que sua origem não é comum. Sabe que existe algo diferente em seu sangue. Mas ainda n
Lívia não dormiu naquela noite. Como poderia? Em menos de uma semana, sua vida havia se transformado em algo que parecia pertencer a um pesadelo. Sua filha era descendente de duas linhagens poderosas. Sua mãe havia escondido a verdade. Seu pai não morrera em um acidente. Sua avó estava viva. E um homem que todos acreditavam morto havia aparecido para reivindicar um papel naquilo tudo.Mas havia uma coisa que a incomodava mais do que todas as outras. Dante. Ela estava sentada diante da lareira quando ouviu seus passos.— Não conseguiu dormir? Perguntou ele.— Não.Dante permaneceu junto à porta.— Eu também não.Lívia levantou os olhos.— Quero respostas.— Eu sei.— Não. Você não sabe.Ela se levantou.— Passei minha vida inteira acreditando em uma mentira. Agora descobri que minha mãe escondeu minha origem, que existem pessoas querendo me encontrar e que minha filha pode ter algum tipo de poder.Dante permaneceu calado.— E você ainda está escondendo alguma coisa de mim.Ele desviou
— Dante.Aquela voz atravessou a cabana. O Alfa Supremo ficou imóvel. Lívia percebeu imediatamente que havia algo errado. Dante conhecia aquele homem. E, pela primeira vez desde que o conhecera, ela viu medo em seus olhos.— Quem é ele? — perguntou.Dante não respondeu. A porta se abriu completamente. Um homem entrou.Era alto, elegante e tinha cabelos escuros marcados por alguns fios grisalhos. Seu rosto carregava as marcas do tempo, mas seus olhos eram frios e atentos.Ele sorriu.— Quanto tempo, sobrinho.Lívia olhou para Dante.— Sobrinho?Dante deu um passo à frente.— Você morreu.O homem soltou uma pequena risada.— Foi exatamente isso que todos precisavam acreditar.A avó de Lívia se colocou ao lado da neta.— Gabriel.O sorriso do homem desapareceu.— Ainda viva, Helena?— Infelizmente para você.Gabriel olhou para Aurora. Seu semblante mudou.— Então é verdade.Dante ficou na frente da criança.— Não se aproxime.— Você não entende o que aquela menina representa.— Ela é min





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