Mundo ficciónIniciar sesión— A chave para destruir seu próprio reino?
A voz de Lívia saiu baixa, mas firme. Serena não respondeu. Dante, porém, deu um passo à frente.
— Explique.
— Não aqui.
— Você não está em posição de exigir nada.
Serena sorriu.
— E você continua acreditando que pode controlar tudo, Dante.
Os olhos do Alfa se estreitaram.
— Você sabe meu nome.
— Sei muito mais do que isso.
Lívia olhou de um para o outro.
— Alguém pode, por favor, me explicar o que está acontecendo?
Dante se virou para ela.
— Fique atrás de mim.
— Não.
— Lívia.
— Estou cansada de ouvir isso.
Ela apertou Aurora contra o peito.
— Todo mundo sabe alguma coisa sobre mim, menos eu.
Serena observou-a em silêncio. Então disse:
— Sua mãe sabia que esse dia chegaria.
Lívia sentiu um aperto no peito.
— Você realmente conheceu minha mãe?
— Sim.
— Quando?
— Antes de você nascer.
— E por que nunca apareceu?
Serena baixou os olhos.
— Porque sua mãe me pediu para desaparecer.
Lívia engoliu em seco.
— Por quê?
Serena respirou fundo.
— Porque ela descobriu que alguém dentro da própria ordem dos Caçadores havia traído todos eles.
Dante ficou imóvel.
— Um traidor?
— Não apenas um traidor.
Serena olhou para ele.
— Alguém que entregou os nomes dos últimos Caçadores aos inimigos.
Lívia sentiu as pernas enfraquecerem.
— Meu pai...
Serena assentiu.
— Seu pai estava entre os primeiros que foram encontrados.
Lívia apertou os olhos. Durante anos, acreditara que o pai havia morrido em um acidente. Sua mãe nunca lhe contara a verdade.
— Quem fez isso?
Serena hesitou.
— Ainda não sabemos.
Dante cruzou os braços.
— Você veio até aqui apenas para contar uma história antiga?
— Não.
Serena olhou para Aurora.
— Vim porque o nascimento dela mudou tudo.
A menina começou a se mexer nos braços de Lívia. Seus olhos dourados se abriram. Serena recuou um passo.
— Ela já despertou.
Dante percebeu.
— O que significa isso?
— Significa que a profecia começou.
— Que profecia?
Serena respondeu:
— A profecia da criança nascida do sangue do Alfa e do sangue do Caçador.
Lívia ficou em silêncio.
— Eu não sou uma Caçadora.
Serena olhou diretamente para ela.
— Não. Você é algo que nem mesmo os antigos Caçadores conseguiram compreender.
Dante franziu a testa.
— O que ela é?
Serena abriu a boca para responder. Um disparo ecoou. Ela caiu.
— Serena!
Lívia gritou. Dante imediatamente se colocou à frente dela. Rafael correu até Serena.
— Ela foi atingida!
Dante olhou para o túnel.
— Todos para trás!
Outro disparo. A bala atingiu a parede. Dante avançou pela escuridão. Seu corpo se moveu rapidamente. Lívia ficou com Aurora protegida atrás de Rafael.
— Ela está viva? — perguntou.
Rafael verificou Serena.
— Sim.
Serena abriu os olhos com dificuldade.
— Não deixem...
— O quê?
— Não deixem que levem o medalhão.
Lívia olhou para o objeto. Ainda estava em seu bolso.
— Por quê?
Serena tentou se levantar.
— Porque ele não é apenas um símbolo.
— Então o que é?
Serena encarou Aurora.
— É uma chave.
Antes que pudesse dizer mais, ouviu-se um grito vindo do outro lado do túnel. Dante voltou. Trazia um homem desacordado.
Jogou-o no chão.
— Peguei um.
Rafael se aproximou.
— Ele estava sozinho?
— Não.
Dante olhou para Lívia.
— Existem outros.
O homem no chão começou a rir. Dante se abaixou.
— Quem mandou vocês?
Nenhuma resposta.
— Fale.
O homem abriu os olhos.
— Você está fazendo as perguntas erradas.
Dante segurou sua camisa.
— Então me dê a resposta certa.
O homem olhou para Lívia.
— Ela não deveria ter sobrevivido.
Lívia sentiu um arrepio.
— Do que ele está falando?
O homem continuou:
— Sua mãe deveria ter levado o segredo para o túmulo.
Dante ficou imóvel.
— Qual segredo?
O homem sorriu.
— Pergunte a ela.
— Ela não sabe.
O sorriso desapareceu.
— Então você está mais perdido do que imaginávamos.
Dante estreitou os olhos.
— Quem é seu líder?
O homem permaneceu em silêncio. Dante percebeu algo em seu pescoço. Uma pequena tatuagem. O mesmo símbolo dos Caçadores. Mas invertido.
— Uma ordem corrompida — murmurou.
Serena, ainda ferida, ouviu.
— Não.
Todos olharam para ela. Ela respirou com dificuldade.
— Não é uma ordem corrompida.
Dante se aproximou.
— Então o que é?
Serena respondeu:
— São os filhos dos Caçadores que escolheram servir aos inimigos.
Lívia sentiu o coração acelerar.
— Existem outros?
— Poucos.
— E eles querem Aurora?
Serena balançou a cabeça.
— Não apenas Aurora.
Seu olhar se voltou para Lívia.
— Eles querem você.
O silêncio foi absoluto.
— Por quê? — perguntou Lívia.
Serena fechou os olhos por um instante.
— Porque seu sangue carrega algo que foi escondido durante gerações.
Dante se aproximou.
— O quê?
Serena olhou para ele.
— O poder de controlar o vínculo entre lobos e humanos.
Dante ficou rígido.
— Isso é impossível.
— É por isso que todos têm medo dela.
Lívia balançou a cabeça.
— Eu não tenho poder nenhum.
Serena sorriu tristemente.
— Ainda não.
Aurora começou a chorar. Lívia a embalou. Então o choro cessou. Uma luz dourada surgiu novamente ao redor da menina.
Dessa vez, porém, a luz não desapareceu. Ela se espalhou pelo pequeno medalhão. O objeto começou a vibrar. Dante deu um passo para trás. Serena arregalou os olhos.
— Não...
O medalhão se abriu sozinho. Dentro havia uma pequena fotografia. Lívia pegou. Era uma fotografia antiga de sua mãe. Mas havia algo escrito atrás. Ela virou. Seu rosto perdeu a cor.
“Quando Aurora nascer, procure a Floresta Negra.”
Dante tomou a fotografia.
— Floresta Negra?
Serena fechou os olhos.
— É onde tudo começou.
— O quê?
Serena encarou Dante.
— A guerra entre os Caçadores e os lobos.
Dante permaneceu em silêncio. Serena continuou:
— E é lá que vocês encontrarão a única pessoa que conhece a verdade sobre a mãe de Lívia.
Lívia sentiu as lágrimas surgirem.
— Quem?
Serena respondeu:
— Sua avó.
Lívia ficou imóvel.
— Minha... avó?
— Ela está viva.
O mundo pareceu parar. Sua mãe havia mentido. Seu pai não havia morrido em um acidente. Existiam Caçadores vivos.
E, em algum lugar da Floresta Negra, uma mulher que Lívia acreditava estar morta conhecia toda a verdade sobre sua família.
Dante olhou para ela.
— Vamos para a Floresta Negra.
Lívia apertou Aurora contra o peito. Pela primeira vez, não sentiu medo. Sentiu determinação.
— Sim.
Mas ninguém percebeu que, muito longe dali, uma mulher idosa abriu os olhos dentro de uma cabana cercada pela floresta. Ela olhou para a lua e sorriu.
— Finalmente.
Sobre a mesa diante dela havia um retrato antigo de Lívia. Ao lado, uma fotografia de Aurora. E uma única frase escrita em vermelho:
“O Alfa encontrou a última Caçadora.”
A mulher fechou os olhos.
— Agora a verdadeira guerra pode começar.







