2

Simão jogou o inalador na direção dela com desdém. Natália o pegou com as mãos trêmulas, lutando para respirar enquanto ele a observava com uma careta de repulsa.

—Isabella vai ficar aqui —disse Simão com frieza, cruzando os braços—. E você... você vai embora. Você não tem nada a fazer nesta casa.

Natália olhou para ele incrédula, os olhos arregalados e úmidos pela falta de ar e pela dor. Finalmente conseguiu inspirar e, embora ainda estivesse ofegante, encontrou coragem para responder.

—Esta é... minha casa... —sua voz mal era audível—. Ainda sou sua esposa. Mereço... respeito.

Simão soltou uma risada curta e cruel.

—Minha esposa? Por favor, Natália! —ele se inclinou para ela com um olhar de desdém e um sorriso sarcástico—. Você nunca foi minha mulher. Você não tem o menor direito de exigir respeito.

Natália sentiu um nó se formar na garganta, mas não de tristeza, e sim de raiva. Ela o encarou fixamente, reunindo cada pingo de coragem que lhe restava.

—Já estivemos juntos... intimamente —disse com voz trêmula, mas firme.

O sorriso de Simão desapareceu na hora. Seu rosto ficou tenso, e seu olhar escureceu com uma mistura de incredulidade e desprezo.

—Não repita essa mentira de novo —rosnou ele, aproximando-se perigosamente dela—. Você sabe muito bem que isso nunca aconteceu! O que você está tentando ganhar com isso, hein? Pare de inventar!

Natália piscou, e as lágrimas finalmente escorreram de seus olhos. Ela não entendia como ele podia negar aquilo tão descaradamente.

Naquela noite, quando ele estava bêbado, ela lhe entregara sua virgindade. Ela se lembrava perfeitamente, embora ele tivesse esquecido.

—Como você pode negar o que aconteceu? —sussurrou ela, mais para si mesma do que para ele.

—Porque não aconteceu, Natália —Simão esfregou as têmporas como se estivesse tentando se conter de algo pior—. Isabella é uma mulher de verdade, não como você. Ela me deu o que você nunca poderia, e não preciso que você me prenda com suas mentiras patéticas.

Essas palavras atingiram Natália como um tapa. Ela sentiu que algo dentro dela se partia irremediavelmente.

Então, a única razão pela qual ele negava tudo era porque já tinha estado com Isabella? A dor que sentiu naquele instante foi insuportável.

Ele não apenas a desprezava... ele a havia traído.

—Você é desprezível —conseguiu dizer entre dentes, ainda de joelhos.

Simão riu novamente, soltando uma gargalhada amarga.

—A única desprezível aqui és tu —respondeu com frieza—. Sempre foste uma caçadora de fortunas. Casaste-te comigo apenas pelo meu dinheiro, nada mais.

Natália fechou os olhos por um segundo, tentando conter o choro que a sufocava. Como era possível que ele não visse a verdade?

Tudo o que ela havia feito, cada sacrifício, cada noite em claro, tinha sido por amor, não por dinheiro.

—Você está enganado... —disse ela com voz trêmula—. Nunca quis o seu dinheiro. Eu te amei desde o início, Simão... mas você foi cego demais para perceber isso.

Simão não respondeu imediatamente e, naquele breve silêncio, ela sentiu seu amor por ele desaparecer.

—Limpe a poça de sangue da Isabella —ordenou Simão finalmente, como se não tivesse ouvido nada do que ela acabara de dizer—. E quando terminar, saia da minha frente.

Natália, ajoelhada, observava as manchas vermelhas no chão enquanto esfregava com um pano úmido. A dor a consumia, mas, à medida que a cor carmesim desaparecia sob suas mãos, algo dentro dela também se desvanecia.

Ela havia se enganado. Durante todos aqueles anos, esperara que Simão percebesse seu amor, o que ela realmente sentia por ele, mas agora sabia que isso nunca aconteceria.

À medida que o chão ficava limpo, Natália sentiu que também limpava seu coração daquele amor que a mantivera presa por tanto tempo.

Chega. Simão não merecia nem mais uma lágrima, embora elas caíssem silenciosamente sobre o chão que ela continuava esfregando.

Seu coração, antes despedaçado, agora só se sentia vazio.

—Já terminei —disse ela num murmúrio, levantando-se lentamente do chão.

Simão nem se deu ao trabalho de olhar para ela.

—Ótimo. Dá o fora agora —sua voz era fria, distante.

Natália o observou por mais um segundo, esperando que algo nele mudasse, que houvesse uma centelha de arrependimento, mas não havia nada. Finalmente, ela deu meia-volta e saiu da sala sem olhar para trás.

Enquanto percorria o quarto onde havia dormido sozinha durante dois anos, Natália sentiu uma nova determinação crescendo dentro dela. Ela já não se importava com o que Simão pensasse, nem com o que Isabella estivesse tramando.

Pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia livre.

Seu amor por Simão havia desaparecido, assim como as manchas de sangue no chão que ela havia limpado com tanto cuidado.

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