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Natália não sucumbiu à asma, mas à adaga invisível da traição. Simão escolheu Isabela, a irmã que a difamou, e com um gesto cruel tirou-lhe o único fôlego que ela precisava. No eco gelado de um “Vamos nos divorciar!” Natália compreendeu que o amor havia morrido e que a liberdade era sua única herança.
Ela se levantou, deixando para trás um passado destruído e um homem que, mais cedo ou mais tarde, gastaria noventa e nove súplicas em um vazio para o qual ela jamais voltaria.
*~*~*
Natália observou a cena horrível diante de seus olhos sem conseguir acreditar no que via.
Isabella havia batido o nariz contra a parede e um jato forte de sangue jorrou, chegando até o chão, exatamente no momento em que Simão Cáceres entrou na sala.
Elas haviam discutido, e Isabella, aproveitando-se de ouvir a voz de Simão, decidiu se fazer de vítima diante dele, como sempre fazia.
—Mas o que diabos você fez? —ele descarregou sua raiva nela, encurralando-a contra a parede e apertando seu pescoço—. Mulher cruel e impiedosa. Você bateu nela? Fale agora, droga!
Sua voz era estrondosa e cortante, fazendo os ouvidos de Natália zumbirem.
Seu olhar era ainda pior, cheio de um ódio profundo que a decepcionou completamente, fazendo-a tremer de medo.
—Não tenho nada a ver com isso! —exclamou ela, reunindo coragem.
Isabella era sua irmã mais nova e o grande amor de Simão há anos; Natália era apenas a esposa substituta, e ele a odiava por isso há muito tempo.
Ele acreditava que Natália havia se aproveitado da situação e trancado Isabella em um quarto de hotel no dia do casamento para alcançar seu objetivo.
—Você não consegue aceitar sua derrota? Você sabe que eu nunca a amei! —gritou ele, irritado.
Minutos antes, Simão havia chegado à mansão com seu antigo amor e, friamente, pedido o divórcio. Natália sentiu que seu mundo desmoronava ao seu redor.
Suas palavras eram como dardos afiados perfurando seu peito. Por que ela ainda esperava que ele acreditasse nela?
Ele nunca havia acreditado antes; depois de dois anos de um casamento por conveniência e mal-entendidos, ele nunca mais confiaria nela.
Simão aproximou-se de Isabella de uma maneira condescendente e carinhosa que ela nunca o tinha visto ter para com ela.
Quando sua irmã Isabella decidiu não comparecer ao casamento dois anos atrás, o coração de Natália bateu de alegria ao saber que teria que se casar com Simão em seu lugar.
Depois, tudo virou um caos: a descarada de Isabella apareceu naquela mesma noite na recepção do casamento, dizendo que Natália a havia sequestrado junto com um cúmplice que a acusou na hora.
Simão a odiou ainda mais naquele instante e jurou que tornaria a vida dela um inferno enquanto vivesse.
—Simão… Simão… —chamou Natália, mas ele não lhe deu a mínima atenção; nunca o tinha feito até então.
Ele mimava aquela mulher que o havia abandonado no altar anos atrás, usando um ardil enganador para culpar Natália e isentar-se de culpa.
—Chega, Isabella! —disse ela, exausta, com um nó na garganta—. Pare de fingir.
—O quê?! —Simão não conseguia acreditar no que ouvia—. Como você pode ser tão cruel? Acha que o sangue é falso? Exijo que você peça desculpas!
—Eu nem sequer a toquei! —defendeu-se Natália.
—Você mente! —rugiu Simão com raiva.
Natália fechou os olhos com força, estava pálida e quase sem fôlego. Ela sofria de asma.
—Eu… —ela se apressou a vasculhar o bolso, procurando seu inalador.
Suas mãos não paravam de tremer, e ela teve dificuldade até para manuseá-lo. No entanto, no momento em que o abriu, alguém o arrancou de suas mãos sem piedade.
O frasco caiu no chão com um estrondo.
O corpo dela ficou flácido e caiu pesadamente no chão. Ela precisava usar o inalador, já quase não tinha ar.
—Chega, Natália! Por quanto tempo mais você vai fingir estar doente? —cuspia com raiva. Ele estava furioso e, com um chute, jogou o inalador para longe da mão trêmula de Natália.
—Não a machuque, Simão —conseguiu ouvir vagamente a voz doce e suave de Isabella—. Ela não quis fazer isso, deixe-a.
Natália sentia tanta dor que gemia. Tinha dificuldade para respirar, mas a dor a mantinha lúcida por alguma razão estranha.
Assim, ela pôde perceber o quão cruel era seu amado Simão e quanto desprezo ele sentia por ela. Ele se agachou e disse friamente, segurando seu queixo com brusquidão:
—Limpe as manchas de sangue do chão antes que eu volte de limpar a Isa.
Assim que terminou de falar, Simão se virou e foi embora sem olhar para ela mais uma vez, consolando Isabella, que lhe pedia com voz trêmula que não falasse com sua irmã daquela maneira.
Naqueles dois anos, ele nunca se preocupou com Natália; mal dirigia a palavra a ela e só recebia indiferença ou maus-tratos.
Foi Natália quem se teimou em se casar com ele, acreditando que um dia ele se apaixonaria por ela, mas se enganou terrivelmente.
Simão estava conversando com alguém sobre a situação de Isabella, extremamente preocupado. Enquanto isso, Natália rastejava pelo chão, tentando alcançar seu inalador para conseguir respirar.
De repente, a porta se abriu com um estrondo e Natália conseguiu distinguir uma silhueta à sua frente; mal conseguiu sussurrar um fraco “socorro”, recebendo como resposta um corte:
—Vamos nos divorciar!







