CAMILA NOGUEIRA
Arthur não me devolveu Hope. Ele sequer olhou para mim enquanto girava nos calcanhares, com a minha filha aninhada contra o peito largo e caminhou em direção à sala de estar.
Senti um vácuo no estômago, uma mistura nauseante de perda e impotência. Meus pés, moveram-se por conta própria, seguindo-o como se eu estivesse presa à gravidade dele. Eu sempre estive, não é? Mesmo a milhares de quilômetros de distância, a gravidade de Arthur Vasconcelos nunca deixou de puxar minhas marés.
Na sala, Arthur sentou-se na minha poltrona favorita onde eu passava horas amamentando e olhando a chuva, e parecia, irritantemente, como se aquele móvel tivesse sido feito para ele. Ele preenchia o espaço. O apartamento, que antes parecia um refúgio seguro e modesto, agora parecia minúsculo, encolhido diante da magnitude da presença dele.
Ele ajeitou Hope no colo. Minha filha, que costumava chorar com estranhos, estava hipnotizada. Ela agarrava a lapela do casaco dele com a mãozinha fecha