Leandra Felix
A porta se abriu com um rangido suave, quase respeitoso, como se até o hospital soubesse que aquele era um momento sagrado. Meu corpo inteiro reagiu antes mesmo da mente conseguir formular qualquer pensamento coerente. Meu coração acelerou, minhas mãos suaram, e senti um aperto no peito tão forte que precisei puxar o ar devagar para não me perder nele.
Era real.
Elas estavam chegando.
A enfermeira entrou empurrando o berço duplo com cuidado, um sorriso calmo no rosto, desses que só quem já presenciou muitos começos consegue carregar. O uniforme claro contrastava com o rosa delicado das mantas, e foi impossível não prender a respiração quando vi, finalmente, os dois pequenos rostos tão próximos um do outro.
Minhas filhas.
Senti meus olhos arderem na mesma hora. Uma emoção quente, intensa, avassaladora, subiu do peito até a garganta, e por um instante achei que não conseguiria falar nada. Era como se o mundo tivesse diminuído de tamanho, reduzido àquele espaço entre a cama