Gael Lubianco
Havia um tipo de silêncio que só existia naquele quarto.
Não era o silêncio comum de hospital, interrompido por passos apressados ou equipamentos distantes. Era um silêncio cheio de significado, carregado de algo quase sagrado, como se o mundo tivesse decidido diminuir o volume para não atrapalhar aquele instante.
Eu estava em pé, ao lado dos berços transparentes, observando Leandra e as meninas dormirem.
Leandra estava deitada de lado, o rosto finalmente sereno depois de tudo o que tinha enfrentado. O cansaço ainda marcava seu corpo, mas havia uma tranquilidade nova ali, algo que eu nunca tinha visto antes. Ela parecia… completa. Inteira de um jeito diferente. Como se tivesse atravessado uma fronteira invisível e agora estivesse em outro lugar.
As meninas dormiam profundamente, enroladas nas mantas claras, pequenas demais para caberem na lógica do mundo, mas grandes o suficiente para mudar tudo dentro de mim. Cada respiração delas era um lembrete silencioso de que aquil