Gael Lubianco
Os dias seguintes ao aniversário passaram com uma calma que, à primeira vista, poderia enganar qualquer um. Para quem olhasse de fora, nossa rotina parecia finalmente ter encontrado um eixo: as crianças ajustadas novamente aos horários, Leandra mais tranquila, a casa preenchida por aquela sensação de pertencimento que eu sempre busquei e raramente consegui nomear.
Mas eu sabia.
Sabia que aquela paz não era completa. Era apenas um intervalo.
Desde a noite em que Leandra chorou com o envelope nas mãos, agradecendo por algo que, para mim, era apenas justiça emocional, uma parte de mim permanecia em alerta constante. Não pelo presente, não pela empresa, não pelo futuro profissional dela, mas pelo passado. Pelo que ainda estava mal resolvido. Pelo que insistia em nos rondar como uma sombra silenciosa.
Meu celular tocou e atendi no segundo toque.
— Fala — disse, direto.
— Lubianco — a voz de Léo soou do outro lado, grave, controlada. — Tenho novidades.
Meu corpo inteiro se te