Ainda estávamos ali, próximos demais para que o silêncio fosse apenas silêncio.
A televisão continuava ligada, mas ninguém mais prestava atenção. Os meninos já haviam ido para o quarto com dona Francisca, e a casa parecia respirar num ritmo mais lento, quase cúmplice. O tipo de quietude que só existe quando o dia finalmente termina e a noite se instala com promessa de descanso.
Observei Leandra por alguns segundos a mais do que o normal.
Ela estava confortável, mas eu a conhecia o suficiente para perceber quando o corpo pedia algo diferente, mesmo que a mente ainda não tivesse colocado isso em palavras. A manta escorregava um pouco pelo ombro, os cabelos soltos caíam de lado, e havia um brilho suave no olhar que não tinha nada a ver com cansaço.
— Você está se sentindo bem? — perguntei, baixo, quebrando o silêncio.
Ela virou o rosto para mim imediatamente.
— Estou — respondeu sem hesitar. — Por quê?
Aproximei a mão do braço dela, subindo devagar até o ombro, num gesto mais de cuidado