Cheguei em casa mais tarde do que gostaria, mas não mais tarde do que precisava. O céu já começava a escurecer quando o carro passou pelo portão principal, e aquela visão da casa iluminada sempre teve o mesmo efeito em mim: desacelerava tudo por dentro. Não importava o dia que eu tivesse tido, nem as reuniões, nem as decisões pesadas ,ali era o meu ponto de retorno. O lugar onde eu podia baixar a guarda.
Assim que desci do carro, senti o cansaço bater de verdade. Não físico apenas, mas mental. O encontro com Lúcio tinha drenado mais energia do que eu admitiria em voz alta. Não pelo que ele representava financeiramente isso nunca foi ameaça, mas pelo peso emocional que ele sempre carregava consigo. Um passado mal resolvido. Uma presença que insistia em existir onde não era bem-vinda.
Entrei em casa e fui recebido pelo silêncio confortável do início da noite. O cheiro de comida vinha da cozinha, misturado ao aroma familiar do lar. Tirei o paletó, afrouxei a gravata e caminhei pelo corre