O sol da tarde deixava o jardim com aquele tom dourado que sempre me trazia uma falsa sensação de calma. As árvores balançavam suavemente com o vento, e o cheiro da grama recém-cortada se misturava ao riso alto dos meninos, que corriam de um lado para o outro como se o mundo fosse simples demais para qualquer preocupação adulta.
Eu estava sentada em uma das espreguiçadeiras, os pés elevados sobre uma almofada, tentando convencer meu corpo de que aquilo já era participação suficiente. Observava cada movimento deles com atenção redobrada, o olhar sempre atento, o coração sempre alerta. Desde a tentativa de sequestro, algo em mim havia mudado. Não era medo constante, mas uma vigilância silenciosa, como se meu corpo tivesse aprendido a identificar perigos antes mesmo da mente alcançar.
— Olha isso, mamãe! — um deles gritou, tentando equilibrar-se na borda do canteiro.
— Ei! — avisei imediatamente. — Nada de subir aí. Vocês sabem disso.
Eles reclamaram, como sempre, mas obedeceram. Pequen