O telefone tocou quando estava sentada na varanda, tentando convencer minhas costas de que aquela posição ainda era confortável. As meninas se mexiam com uma frequência que misturava carinho e incômodo, como se estivessem testando limites dentro de mim. Apoiei a mão na barriga, respirando fundo, antes de alcançar o celular sobre a mesinha.
Sorri assim que vi o nome na tela.
Mariane.
— Oi — atendi, já com a voz mais leve do que estava segundos antes.
— Finalmente! — ela reclamou do outro lado, rindo. — Achei que você fosse me ignorar de propósito.
— Dramática — respondi. — Eu só estava tentando existir sentada sem sentir dor.
— Então é oficial — ela disse. — Você está grávida demais para fingir que está tudo sob controle.
Ri baixo.
— O que foi? — perguntei. — Essa ligação tem tom de conspiração.
— Tem saudade — ela respondeu, simples. — Minha. E das meninas também.
Fechei os olhos por um instante, sentindo algo aquecer no peito.
— Vocês estão exagerando — falei, mas sem convicção. — A