O mundo não muda de som quando algo ruim vai acontecer.
Não há música dramática, não há aviso no ar, não há aquela sensação cinematográfica de “algo está errado”. O restaurante continuava com o mesmo burburinho suave, os talheres ainda tilintavam, as risadas das mesas ao redor continuavam existindo normalmente.
Mas dentro de mim, algo mudou.
Foi imediato.
Rafaelly estava ali.
De pé, a poucos metros da nossa mesa, com aquele mesmo olhar que sempre carregou desde que éramos apenas duas meninas dividindo um sobrenome que nunca nos uniu. O sorriso dela era pequeno, torto, carregado de provocação. Um sorriso que não vinha para cumprimentar. Vinha para ferir.
Meu corpo inteiro reagiu antes da razão.
Senti as meninas se mexerem com força dentro de mim, como se também percebessem a ameaça. Minha mão foi instintivamente à barriga, e por um segundo pensei em levantar e ir embora. Fingir que não a vi. Proteger minha paz.
Mas Rafaelly não permitiria isso.
Nunca permitiu.
Ela caminhou até nossa me