O jantar já caminhava para aquele ponto em que as conversas começam a se repetir, as risadas ficam mais soltas e o cansaço aparece disfarçado de bocejos contidos. Eu estava sentada no sofá, com as mãos apoiadas na barriga, observando a sala agora um pouco mais vazia, enquanto Charlotte se movimentava entre os convidados restantes como se ainda fosse cedo demais para encerrar a noite.
Havia sido um jantar intenso. Bonito, barulhento, cheio de afetos e pequenas tensões invisíveis. Eu sentia isso no corpo. Não era exatamente cansaço físico, era algo mais profundo, como se cada interação tivesse deixado uma marca sutil, exigindo mais de mim do que eu gostaria de admitir.
Meus olhos buscaram os meninos quase por reflexo.
Eles estavam no tapete, perto da estante, sentados lado a lado. Um deles já com a cabeça pendendo para o lado, o outro lutando bravamente contra o sono, piscando devagar demais para alguém que ainda tentava fingir estar acordado. Aquela visão me arrancou um sorriso imediat