Gael Lubianco
O aeroporto sempre teve esse ar de despedida que eu detestava. Era como se, assim que eu atravessava aquelas portas de vidro, uma parte de mim ficasse para trás, presa a tudo o que eu queria manter comigo. E, dessa vez, a sensação estava ainda mais forte. Mais pesada.
Bruno e Breno estavam encolhidos nos assentos ao meu lado, os olhos marejados e o semblante desanimado. Cada um agarrava com força o ursinho que Leandra comprou especialmente para a viagem, como se fosse o último resquício dela perto deles.
Eles estavam arrasados. E ver isso me destruía por dentro.
— A mamãe volta em breve, meus amores — repeti, respirando fundo para manter a voz firme. — Lembram que a gente conversou sobre isso?
Os dois assentiram juntos, mas era fácil ver que nenhum dos dois acreditava muito naquilo. Breno fungou alto, limpando o nariz com a manga da blusa, enquanto Bruno — sempre o mais sensível,deixou uma lágrima escorrer silenciosamente.
Droga. Era difícil explicar para eles… porque e