Lorenzo Lubianco
Eu sempre soube que certas coisas na vida não se consertavam sozinhas.
Ficavam ali, latejando como feridas antigas, mal cicatrizadas, que qualquer toque fazia sangrar de novo.
Aquela manhã foi exatamente assim: um sangramento interno que eu já nem tentava esconder.
Sentei-me na poltrona do meu escritório, observando as cortinas fechadas, deixando entrar apenas o suficiente de luz para que eu pudesse lembrar que ainda era dia. A casa estava silenciosa, grande demais para o meu gosto, mas adequada para reuniões como a que aconteceria ali.
Paulina chegou primeiro. Sempre chega primeiro.
O perfume dela invadiu o cômodo antes mesmo de sua presença. Um cheiro adocicado, carregado, quase enjoativo, um reflexo perfeito da personalidade que ela fingia ter. Linda por fora, deteriorada por dentro.
Ela entrou sem pedir permissão, como sempre.
— Você me chamou com urgência. — cruzou os braços, impaciente. — Aconteceu alguma coisa?
— Ainda não — respondi, olhando para ela com calm