Letícia Bianchi
O som do meu celular vibrando sobre a bancada do meu pequeno ateliê em Paris parecia cortar o ar como um estilete.
Eu tinha passado o dia focada nos cortes do meu casaco, tentando ignorar a constante pressão que vinha de São Paulo, quando o nome no visor brilhou: "Sogra".
Por um momento, cogitei deixar tocar até cair. Mas, ao contrário de Charles, que usava a insistência como uma arma, eu queria encerrar aquele capítulo com a dignidade que me foi negada durante anos. Respirei