Letícia Bianchi
O som do sininho da porta do Le Petit Refuge ainda parecia vibrar no ar denso daquela tarde em Paris quando os meus olhos cruzaram com os da mulher parada diante da bancada de Julian. Eu não precisava de apresentações, nem de avisos prévios. Havia algo inconfundível na maneira como ela postava os ombros, na rigidez calculada do casaco de grife e na expressão de quem estava habituada a reivindicação de territórios que nunca lhe pertenceram de fato. Era o retrato vivo daquele mun