Letícia Bianchi
A madrugada de Paris tem uma textura própria, um silêncio denso e aveludado que parece pertencer a um mundo paralelo, suspenso entre o dia que se foi e o amanhecer que teima em demorar.
No quarto do apartamento de Julian, a única luz que nos alcançava era a claridade difusa da rua, filtrada pelas cortinas de linho, desenhando sombras suaves sobre os lençóis de algodão que ainda guardavam o calor dos nossos corpos.
Eram quatro horas da manhã.
O relógio na mesada pareci