Sabrina Duran
A luz da manhã estava começando a rastejar pelas frestas da persiana do meu apartamento, desenhando linhas de poeira dourada no ar pesado. O cheiro de café forte, que a Júlia tinha acabado de passar, tentava, sem muito sucesso, dissipar o rastro de adrenalina e medo que ainda parecia impregnado na nossa pele. Estávamos os quatro ali — eu, o Augusto, a Júlia e o Lian — jogados nos sofás como sobreviventes de um naufrágio que aconteceu em terra firme, cercados por paredes de mármo