Augusto Vilar
O silêncio do meu escritório sempre foi o meu refúgio, mas hoje, ele tinha um peso diferente. As paredes revestidas de carvalho escuro, que tantas vezes testemunharam estratégias jurídicas brilhantes e vitórias processuais, pareciam observar a última peça de um quebra-cabeça que eu levei a vida inteira para montar — e que agora, finalmente, eu estava pronto para quebrar.
Eu segurava o documento oficial entre os dedos. O papel timbrado do Ministério Público tinha uma textura ásper