Sabrina Duran
A L’Éclat, no silêncio que sucede a tempestade, tem um som próprio. Não é o silêncio de uma casa adormecida, mas o de um organismo ferido. Eu estava encostada na parede de camurça escura do meu escritório, observando cada movimento dos peritos com uma atenção quase doentia. Minha mente, treinada pela sobrevivência, não conseguia parar de catalogar detalhes que ninguém mais parecia notar: a forma como o pó de grafite dos detetives grudava nas ranhuras do porta-retrato quebrado, o