Augusto Vilar
O silêncio do meu apartamento nunca me pareceu tão estranho. Durante anos, este lugar foi o meu santuário de minimalismo e controle. Um mausoléu de mármore, vidro e silêncio, onde cada livro jurídico estava alinhado por ordem alfabética e o ar cheirava a café e solidão produtiva. Mas, naquela noite, o ar estava diferente. Tinha o cheiro de mudança. Tinha o cheiro dela.
As caixas estavam empilhadas no meio da sala, como monumentos de papelão a uma vida que estava sendo transportad