Júlia Cavalcante
O asfalto da cidade parecia vibrar sob o calor úmido daquela manhã, mas dentro do ônibus, o que eu sentia era o frio cortante da incerteza. Cada solavanco do veículo era uma pontada de ansiedade no meu baixo ventre. Eu mantinha as mãos protetoramente sobre a barriga, que embora ainda não estivesse proeminente aos olhos do mundo, pesava toneladas na minha consciência.
— Respira, Ju. Você está pálida de novo — Sabrina sussurrou ao meu lado, apertando minha mão.
Ela estava sendo