A Conversa Tardia e a Verdade Irreversível
Lila Duarte
O cheiro de talco de bebê e de café forte preenchia a casa dos Evans. Não era mais um santuário de crise, mas um lar de verdade. Meses se passaram desde o acidente e a tumultuada semana nos Alpes. Catarina já estava bem com o seu bebê, um garotinho tranquilo, com a fúria dos Evans e a serenidade dos Smith. Eu o segurava no colo, inalando o cheiro de pele nova, sentindo a paz que Cat havia conquistado.
Eu estava na sala de estar, a lareira acesa, o cenário perfeito de normalidade. Paul estava no escritório, e Cat estava ao meu lado, tomando um chá de ervas, os cabelos soltos e um brilho suave nos olhos.
Eu não podia mais adiar. Eu precisava daquela conversa, não para desabafo, mas para validação.
— O bebê da titia é lindo, Cat. — Eu disse, a voz rouca. — Ele tem a sua paciência e meu carisma.
— Ele tem a paciência de Paul, Lila. E o dele pai está obcecado por esse bebê cheiroso. — Ela sorriu.
Eu balancei a cabeça.
— Não. Estou