Sofia continuava se recuperando.
Um dia de cada vez.
O corpo ainda respondia com cansaço fácil, mas havia algo diferente nela — uma serenidade silenciosa, como se tivesse voltado não só do coma, mas de um limite invisível.
Flores passaram a ocupar cada canto do quarto.
Colegas de trabalho.
Amigos.
Cartões deixados sobre a mesa, com palavras simples e sinceras.
As visitas aconteciam em pequenos grupos, dois de cada vez, respeitando o espaço, o tempo e o ritmo dela. Risos contidos. Conversas baixas. Presença.
Thomas dormia quase sempre na poltrona ao lado da cama.
Não porque alguém pediu.
Mas porque ele simplesmente não foi embora.
Os pais de Sofia entraram juntos pela primeira vez no segundo dia.
A emoção tomou o peito antes mesmo das palavras.
A mãe foi a primeira a se aproximar, segurando a mão da filha com cuidado, como se ainda tivesse medo de machucá-la.
Alberto permaneceu um passo atrás.
O olhar sério.
Mas diferente.
Não havia acusação ali.
Só alívio contido.
S