Sofia acordou devagar.
Não por dor.
Mas pela mudança no ar.
O cheiro não era de hospital. Nem de carro. Nem de rua.
Era fechado. Antigo. Umidade misturada com metal.
Ela piscou algumas vezes até a visão se ajustar.
Estava sentada em uma cadeira, as mãos presas à frente. Não com força excessiva — o suficiente para impedir movimentos bruscos. O local era escuro, iluminado apenas por uma lâmpada pendurada no teto, oscilando levemente.
Sofia respirou fundo.
Não entrou em pânico.
Pânico era exatamente o que esperavam dela.
Ela sentiu o peso frio do pingente contra a pele. Ainda estava ali.
A porta se abriu.
Passos firmes ecoaram no concreto.
Nicole entrou.
Bem vestida. Calma. O rosto impecável, como se estivesse indo para uma reunião — não para um cativeiro.
— Bom dia, doutora Sofia Valente. — disse, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Dormiu bem?
Sofia ergueu o olhar devagar.
— Já estive em salas piores. — respondeu. — E com gente mais inteligente.