A noite era silenciosa sobre a cidade.
Não havia pressa entre eles.
Nem fuga.
Nem palavras jogadas para preencher o espaço.
Sofia estava sentada no sofá, as mãos entrelaçadas, o olhar perdido em algum ponto invisível da sala. Thomas tinha se levantando, estava poucos passos dela, como se ainda estivesse aprendendo onde podia estar — e até onde podia ir.
— Sobre a gente. — ele disse, enfim. A voz baixa. Verdadeira. — Eu senti sua falta, todos os dias.
Sofia fechou os olhos por um instante.
— Eu também. — confessou. — Mas sentir falta não foi o que mais doeu.
Ela ergueu o olhar para ele.
— Doeu confiar… e te ver me afastando usando o meu cuidado como desculpa.
Thomas respirou fundo. Não se defendeu.
— Eu fugi. — admitiu. — Usei proteção como justificativa para não lidar com o medo. Medo de perder você. Não conseguia aceitar te colocar em perigo.
O silêncio que se seguiu não foi confortável.
Mas foi honesto.
— Eu te amo, Thomas. — Sofia disse, sem rodeios. — M