Sofia passou o dia inteiro com aquela sensação incômoda que não era só ressaca.
Era pior.
Ressaca moral.
Emocional.
Daquelas que não passam com água, café forte ou silêncio.
Enquanto a água fervia no fogão, ela mexia o macarrão sem realmente prestar atenção. A colher girava no mesmo ritmo dos pensamentos que insistiam em não parar.
“Eu escolho você. Agora e sempre.”
As palavras de Thomas ecoavam na cabeça dela como um aviso — não como uma promessa romântica.
Como uma decisão.
Sofia respirou fundo, apoiando a mão na bancada da cozinha.
— O que exatamente você quis dizer com isso… — murmurou para si mesma.
Ela não era ingênua.
Sabia que sentimentos não resolviam investigações, nem apagavam riscos.
Mas também sabia quando alguém falava sério.
A noite caiu devagar, quase arrastada.
Às dezenove em ponto, o interfone tocou.
O som fez o coração dela acelerar antes mesmo de atender.
— Alô? — disse, tentando manter a voz firme.
— Boa noite, senhora Sofia. —