O barulho das hélices preenchia tudo. O vento entrava pelas frestas do helicóptero, bagunçando meu cabelo, e meu coração parecia querer acompanhar o ritmo das pás girando lá em cima.
— Primeira vez? — Lorenzo perguntou, com aquele meio sorriso que misturava diversão e calma.
— Dá pra perceber? — respondi, segurando firme na lateral do assento, tentando parecer menos tensa do que me sentia.
— Só um pouquinho. — Ele riu, cobrindo minha mão com a dele. — Relaxa. Daqui a pouco você vai amar a vista.
E ele estava certo.
Quando o helicóptero ganhou altura, São Paulo ficou para trás junto com o concreto, o cinza e a pressa. Aos poucos, o azul começou a dominar tudo. O mar se abria lá embaixo em tons que pareciam pintados à mão, e as montanhas verdes do litoral norte desenhavam curvas suaves até onde meus olhos alcançavam.
Por um instante, esqueci o medo.
Restava apenas aquele pedaço de céu, o cheiro salgado que entrava pela cabine e ele, ao meu lado, tranquilo, como se nada pudesse nos