Sentei na cama num pulo, com o coração acelerado e o nariz ardendo. Por um segundo, achei que fosse um incêndio. Saí do quarto correndo, descalça, vestindo só uma camiseta e calcinha.
— Lorenzo?! — chamei, atravessando o corredor.
Desci as escadas e parei na entrada da sala, encarando a cena com uma mistura de alívio e incredulidade.
Lorenzo estava de frente para a ilha, camiseta básica, uma espátula na mão e uma expressão concentrada demais para alguém claramente fora do próprio habitat. No cooktop, uma frigideira exalava o cheiro de queimado. E no centro dela… uma panqueca irreconhecível, colada, escura demais para ser considerada comestível.
Fiquei olhando por dois segundos. Depois comecei a rir.
— Isso é… uma tentativa de assassinato ou só café da manhã? — perguntei, encostando no balcão.
Ele se virou na mesma hora, visivelmente surpreso.
— Bom dia pra você também — disse, erguendo a espátula como se fosse uma arma. — E antes que diga qualquer coisa, eu estava indo muito bem