Lucas permaneceu sentado muito depois que Camille e Melissa se afastaram da mesa.
O café esfriava diante dele, intocado.
Os dedos tremiam.
A garganta ardia.
Ele tinha dito sim. Confirmado o papel que nunca imaginou carregar.
E agora, sozinho na lanchonete, Lucas encarava o próprio reflexo na tela apagada do celular, um homem que sempre quis Camille… e que agora teria que fingir tê-la. Pelo bem de outro homem. O bem do homem que ela amava.
Ele fechou os olhos. A vergonha e a culpa se misturavam a uma dor funda e silenciosa.
Nada parecia certo. Mas não havia mais volta.
*No corredor*
Camille caminhava rápido, mas cada passo parecia ser puxado por uma âncora presa ao peito.
Melissa seguia ao lado, sem falar nada. Não conseguia. O que tinha acabado de testemunhar ainda pesava sobre ela, e a pior parte era saber que Camille não tinha exagerado. Ela realmente faria aquilo. Iria até o fim.
— Camille… Melissa começou, num fiapo de voz.
— Não agora. Camille cortou, sem dureza, apenas exausta.