Saí do escritório do Sr. Tiago com uma reunião marcada para assinar papéis importantes. Papéis com meu nome em negrito, com porcentagens ao lado. Com uma vaga de estacionamento junto.
Eu não era mais secretária. Tinha deixado de ser funcionária, mas não houve discurso de despedida. Nada de bolo. Nada de caixa com fotos de família e uma caneca favorita. Apenas um olhar da Sarah que dizia que ela entendia mais do que podia dizer, e um aceno rígido do Sérgio, que observou tudo se desenrolar com o ouvido colado na parede, tentando entender o que tinha perdido.
Pobre homem.
A estrada subia em curvas, a cidade ficando para trás. Troquei de faixa sem pensar. O carro respondeu fácil. Tudo nessa vida nova se movia assim. Suave. Antecipado. O portão reconheceu o carro. As luzes se acenderam uma a uma enquanto eu subia o caminho longo. A segurança assentiu, me liberando a entrada.
A casa esperava.
Nenhum carro de funcionários. Nenhuma luz nas alas laterais. Nenhum movimento atrás do vidro.
O Dan