Acordei antes do despertador.
A cidade ainda estava escura. Silenciosa. Fiquei imóvel por um instante, ouvindo o Diogo respirar através da parede. Ritmado. Jovem. Alheio a tudo.
Bom.
Levantei sem tomar banho. Café primeiro. Preto. Sem açúcar. Eu precisava estar afiada, não confortada.
O vestido verde estava dobrado na cadeira. A armadura da noite passada. Uma amostra da minha nova vida. Não toquei nele.
Conferi o espelho. Suave demais. Esse era o problema.
Eu parecia uma mulher que se passa por cima. Uma mulher para quem as pessoas explicam as coisas. Uma mulher que os homens subestimam até ser tarde demais — mas ainda assim suave demais para o que eu ia fazer.
Esse homem não era o Nick. Não era um escrivão nem um advogado mediano. Ele estava com medo, sim, mas era acostumado ao poder. Acostumado a assessores pulando quando ele limpava a garganta. Eu precisava que ele entendesse outra coisa.
Peguei o casaco e as chaves e saí antes que o Diogo acordasse. A loja não abria cedo. Dinheiro