Saí da pizzaria sozinha.
O sino tocou atrás de mim. Uma vez. Seco. Definitivo.
A noite parecia mais fria do que antes. Não hostil. Só vazia. Caminhei rápido, mãos nos bolsos do casaco, cabeça baixa. Não procurei o carro do Nick. Não quis um último olhar. Já tinha encerramentos demais para uma única noite.
Nick tinha sido bom. Constante. Gentil. Previsível de um jeito que parecia seguro quando minha vida não era. Ele escutava. Ele aparecia. Ele oferecia silêncio quando o barulho ficava alto.
Mas silêncio não era mais o que eu precisava. Deveria haver mais homens como Nick no mundo. Ele era real. Só não queria progredir a vida. Ser policial devia ser um inferno. Ele nunca me contou tudo, mas contou que saía de casa de manhã sem saber se voltaria à noite. Ele estava cansado da morte. Queria paz e sossego — e disso eu já tinha tido demais. Talvez ele tivesse vivido demais. Eu sentia que nem tinha começado.
Essa constatação doeu. E me aliviou ao mesmo tempo.
Chega de meias-verdades.
Entrei