O helicóptero rasgava a escuridão como um segredo. As luzes da cidade voltaram primeiro em manchas. Depois ruas inteiras. Depois o rio. Depois os bairros. O piloto não falou nada. O fone só transmitia a respiração constante da máquina.
Observei as ruas e tentei imaginar o próximo ano. A mensalidade do Diogo. O aluguel. O trabalho. Mentiras que não pareceriam mentiras porque seriam — termos. Tentei me agarrar à linha que eu tinha traçado. Sem corpos. Sem sangue. Sem carrinhos de lavanderia. Repe