— Esteja avisado, Daniel, este acordo não é favorável para você.
— Ah, é? Como assim?
— Vai te custar. Vai te custar muito. Não dinheiro. Isso você tem de sobra, não vai te doer se eu tirar um pouco. Vai te custar coisas das quais você nem sabia que teria de abrir mão.
— Como o quê? — Ele parecia divertido com a minha petulância. Como se tivesse coisas que eu nem conseguia alcançar.
Mas eu não era uma criança de cinco anos pedindo um doce.
— Primeiro de tudo, se você quer que eu sequer sente à mesa de negociação, eu não entro em um relacionamento sem amor — determinei.
— Muito bem. Suas exigências são altas, mas o que você oferece é valioso o bastante.
— Eu não sou um produto.
— Desculpa! — Ele se apressou em dizer.
— Eu sou um serviço. Um que pode ser cancelado a qualquer momento.
— Justo. Eu te amo.
Fiquei imóvel.
— Diga de novo. De verdade.
— Eu te amo. Eu quero você comigo. Não por uma noite. Pela minha vida. Toda ela.
Deixei aquilo no ar. Examinei o rosto dele. Nenhuma piada. Nen