A semana passou sem barulho. Sem mensagens. Sem encontros. Sem carros pretos. Sem homens malucos para convencer.
No escritório, tudo voltou ao normal. Sarah reclamava do namorado, e os sócios exigiam prazos. Eu atendia ligações, arquivava formulários e evitava pensar demais. Era entediante — graças a Deus. À noite, Diogo e eu comíamos sobras e conversávamos sobre os livros caríssimos que ele precisaria comprar no próximo semestre. Parecia quase uma vida normal.
Uma manhã, abri meu extrato bancário e comecei a somar. Os pagamentos de Daniel vinham de nomes diferentes — consultoria, logística, assessoria. Somei tudo. Dava certo! Um ano inteiro da mensalidade de Diogo. Livros caros, taxas, até o maldito estacionamento do campus.
Nada de roupas novas ou sapatos para mim. Muitas refeições de macarrão. Mas tudo fechava a conta fechava. Nós conseguimos. A faculdade ia acontecer.
Mais alguns trabalhos, pensei. Só alguns. O suficiente para garantir os próximos três anos. Depois eu sairia. Repe