Hanna
Os dias estão passando rápido demais.
Rápido… e ao mesmo tempo arrastados.
Uma sensação estranha tem me acompanhado, como um peso no peito, como se alguma coisa estivesse acontecendo longe de mim — algo que eu não consigo ver, mas que mexe com meu instinto.
Não sei o que é.
Mas sinto.
E não gosto dessa sensação.
Acordo cedo.
Trabalho.
Reuniões.
Relatórios.
Treinamentos.
A vida virou um ciclo mecânico, como se eu estivesse presa no modo automático esperando o tempo acelerar até a data de voltar pro Brasil.
Até rever ele.
Mas enquanto isso não chega…
A saudade parece virar parte do meu corpo.
Parte dos meus ossos.
Às vezes, no meio do dia, olho para o celular esperando ele mandar mensagem — mesmo sabendo que ele nunca falha.
Às vezes, à noite, me pego esticando a mão no sofá como se ele estivesse ali sentado, com o sorriso torto, o olhar verde cheio de fome e carinho ao mesmo tempo.
Mas o sofá está sempre vazio.
E o quarto também.
E a distância parece maior a