Um Doce Recomeço

Sarah

Os primeiros dias em Londres passaram como uma névoa da qual eu não conseguia escapar. As horas se misturavam umas às outras, os dias começavam e terminavam sem que eu realmente percebesse, e tudo parecia acontecer distante demais, como se eu estivesse assistindo à minha própria vida de fora.

Minha mãe fazia o que podia para me distrair. Falava sem parar durante o café da manhã, comentava sobre os vizinhos, sobre o trabalho, sobre qualquer assunto que pudesse preencher os silêncios que eu insistia em deixar entre nós. Mark também tentava ajudar, mas do jeito dele. Não fazia perguntas invasivas nem insistia quando eu respondia apenas com um sorriso. Em vez disso, me observava com aquela preocupação discreta que ele nunca conseguia esconder completamente.

Kate, por sua vez, parecia determinada a não me deixar afundar. Todos os dias meu celular recebia uma sequência interminável de mensagens, vídeos engraçados, memes absurdos e fotos aleatórias que ela encontrava na internet. Às vezes eu até ria. Outras vezes apenas observava a tela sem realmente prestar atenção.

Porque, inevitavelmente, meu olhar acabava encontrando o nome dele.

Ethan.

Mesmo depois de tudo, bastava ver aquelas cinco letras para sentir algo apertar dentro do meu peito.

No início, ele ligava todos os dias. Algumas vezes pela manhã, outras durante a noite, como se estivesse tentando adivinhar os momentos em que eu estaria mais vulnerável. Quando percebeu que eu não atenderia, as mensagens começaram a chegar.

Primeiro eram curtas.

"Sarah, por favor."

"Preciso falar com você."

"Me deixa explicar."

Depois ficaram maiores, mais insistentes. Eu nunca abria nenhuma delas. Lia apenas os trechos que apareciam nas notificações antes de apagar tudo rapidamente, como se aquelas palavras fossem capazes de me machucar.

Porque eram.

Os áudios vieram logo depois.

Eu nunca escutei nenhum.

Nem um único segundo.

Ainda assim, às vezes me pegava olhando para a tela do celular e imaginando o que ele estaria dizendo. Imaginando o tom da sua voz. Imaginando qual desculpa criaria dessa vez para justificar mais uma maldade do irmão.

Isso me irritava mais do que qualquer outra coisa.

Eu não queria pensar nele.

Não queria lembrar daquela noite.

Não queria lembrar da humilhação de acreditar que tinha vivido algo especial para descobrir, poucas horas depois, que tudo não passara de um enorme desastre.

Bloqueei o número mais de uma vez.

Mas Ethan sempre encontrava outra maneira de aparecer.

Um novo número.

Uma nova tentativa.

Uma nova mensagem.

Era como se fosse ele quem tivesse me magoado. Enquanto Jack continuava fingindo que eu nunca existi.

E talvez por isso eu soubesse que precisava encontrar alguma coisa que ocupasse meus pensamentos antes que acabasse enlouquecendo.

Foi quando minha mãe sugeriu o curso de confeitaria.

No começo, achei que ela estivesse brincando.

Eu nunca fui exatamente apaixonada por cozinhar. Na verdade, durante boa parte da minha vida, considerei um milagre conseguir preparar qualquer coisa sem fazer uma bagunça monumental no processo.

Mas, sem ter muito a perder, aceitei.

E para minha surpresa, gostei.

Gostei mais do que imaginava ser possível.

Na primeira aula, descobri que havia algo estranhamente reconfortante em misturar ingredientes, seguir receitas e observar algo ganhar forma diante dos meus olhos. Enquanto minhas mãos trabalhavam a massa ou decoravam um bolo, minha mente finalmente encontrava alguns momentos de paz.

Pela primeira vez em meses, eu conseguia passar horas sem pensar em Jack.

Sem pensar naquela noite.

Pouco a pouco, aquilo se transformou em um refúgio.

As semanas passaram mais rápido do que eu esperava. Eu me dedicava às aulas, chegava em casa cansada e, pela primeira vez desde que voltara para Londres, sentia que estava construindo algo novo para mim.

Quando surgiu a oportunidade de estagiar em uma confeitaria renomada no centro da cidade, agarrei a chance sem pensar duas vezes.

O trabalho era cansativo.

As jornadas começavam cedo, minhas mãos viviam cobertas de pequenos cortes e queimaduras, e eu chegava em casa exausta quase todos os dias.

Mas era uma exaustão boa.

Uma exaustão que me fazia sentir viva.

Aos poucos, voltei a sorrir sem precisar fingir. Voltei a fazer planos. Voltei a acreditar que talvez fosse possível seguir em frente.

Até que os enjoos começaram.

No início, não dei importância.

Atribuí tudo ao excesso de trabalho, às horas em pé ou ao estresse acumulado dos últimos meses. Afinal, meu corpo tinha passado por muita coisa recentemente.

Mas os dias continuaram passando.

E os enjoos também.

Depois vieram o cansaço constante, a sensibilidade aos cheiros e aquela sensação estranha de que alguma coisa estava diferente.

Quando percebi que minha menstruação estava atrasada, um frio percorreu minha espinha.

Ainda assim, tentei encontrar outras explicações.

Porque a verdade parecia impossível demais.

Mesmo assim, comprei um teste de gravidez.

Lembro de ter caminhado até a farmácia com o coração disparado, repetindo para mim mesma que aquilo era apenas precaução. Que eu estava exagerando. Que tudo ficaria bem.

Mas, no fundo, eu já sabia.

Quando me vi sentada no chão do banheiro, segurando o teste entre os dedos trêmulos, senti um medo que nunca havia experimentado antes.

Os segundos passaram devagar.

Lentos demais.

Até que o resultado apareceu.

Dois traços.

Fiquei encarando o visor por vários segundos, incapaz de respirar direito.

O mundo pareceu parar.

Minha mente tentava negar o que meus olhos estavam vendo, como se bastasse olhar por mais tempo para que o resultado mudasse.

Mas não mudou.

Eu estava grávida.

O teste escorregou dos meus dedos enquanto minhas costas encontravam os azulejos frios da parede. Encolhi as pernas contra o peito e apertei os braços ao redor delas, tentando desesperadamente organizar os pensamentos.

Como aquilo tinha acontecido?

Como eu contaria para minha mãe?

E, acima de tudo, como lidaria com o fato de que o homem cujo nome eu passara meses tentando esquecer agora estava ligado a mim de uma forma impossível de apagar?

As lágrimas vieram sem que eu percebesse.

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