O telefonema chegou no meio da tarde, seco e objetivo, como quase tudo que vinha daquele número. Diogo atendeu no escritório, já esperando mais uma questão empresarial. Não esperava que a voz do outro lado alterasse, ainda que minimamente, o ritmo calculado do seu dia.
Ele desligou sem dizer muito. Apenas ficou parado por alguns segundos, encarando a parede de vidro à sua frente. A cidade seguia em movimento, indiferente.
Melina percebeu que algo estava errado no instante em que ele chegou em casa mais cedo. O passo era firme demais. O silêncio, pesado demais.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, levantando-se do sofá.
— Precisamos sair — respondeu ele. — Agora.
Ela não fez mais perguntas. Pegou a bolsa e o acompanhou até o carro. Durante o trajeto, Diogo manteve os olhos fixos na estrada, as mãos firmes no volante.
— Você vai me dizer para onde estamos indo? — ela perguntou.
— Hospital — respondeu. — Meu pai passou mal.
Melina sentiu o impacto da palavra. Até então, o pai de Diogo