A noite já havia se instalado por fora, mas dentro do escritório da empresa, a escuridão dava lugar a uma luz suave, quase melancólica, que invadia a sala de Isadora. Ela estava sozinha, concentrada em terminar os últimos ajustes de um relatório importante. A sala silenciosa, iluminada apenas por um abajur de luz amarelada e pelo brilho distante dos postes da cidade, parecia um refúgio onde o tempo se diluía.Enquanto organizava os documentos espalhados pela mesa, Isadora sentia o cansaço se misturar com uma inquietude inexplicável. O tumulto dos últimos dias ainda ressoava em sua mente — as lembranças da noite anterior, a intensidade do toque de Dominic, e aquele olhar penetrante que a assombrava, mesmo agora. Ela sabia que, apesar de todo seu esforço para manter a racionalidade, o desejo e a tensão entre ela e Dominic não eram mais meras lembranças, mas sim uma realidade presente.De repente, o som da porta se abrindo interrompeu seus pensamentos. Ela não precisou levantar os olhos
Isadora estava em seu escritório, olhando para a tela do computador. Os gráficos e relatórios se embaralhavam diante de seus olhos, como se estivessem zombando de sua tentativa de manter o foco. O ponteiro do mouse pairava sobre o mesmo gráfico havia minutos, mas sua mente estava longe — muito longe dali.Dominic.Ele invadia seus pensamentos como uma tempestade repentina. Um sopro de lembrança e ela se pegava sentindo o toque dos olhos dele sobre sua pele, como se ele estivesse ali, mesmo quando não estava. E quando estava… tudo piorava.Ela havia enfrentado desafios maiores em sua vida. Isadora não era do tipo que se deixava abalar por emoções passageiras — ou ao menos não era, até Dominic surgir. O problema é que ele não parecia passageiro. Ele era presença, intensidade e… ameaça.Havia algo nos olhos dele que a desequilibrava. Uma certeza, um controle, como se já soubesse que, cedo ou tarde, ela cederia. Mas ela não podia. Não devia. Ela tinha construído sua carreira com esforço,
No escritório, Isadora mergulhava nos relatórios e se mantinha ocupada com reuniões intermináveis. Era sua forma de manter a sanidade — e de manter Dominic à distância. A presença dele se tornava mais sufocante a cada dia, como uma sombra que a seguia, silenciosa e insinuante.Ela tentava racionalizar. Era apenas um homem. Um colega. Um obstáculo profissional. Mas, mesmo sabendo disso, sentia seu corpo reagir de forma traiçoeira sempre que o via. A tensão entre eles crescia como eletricidade no ar antes de uma tempestade. Um olhar bastava para que todo o seu autocontrole fosse testado.Naquela manhã, ao entrar na sala de reuniões, sentiu os olhos dele imediatamente. Dominic já estava ali, sentado à cabeceira, a postura confiante e aquele sorriso discreto nos lábios, como se soubesse de algo que mais ninguém sabia. Ele a acompanhou com o olhar enquanto ela cruzava a sala, e Isadora precisou de toda a sua força para manter a compostura.Ela se sentou, abriu sua pasta e deu início à apre
Os dias seguintes foram um teste constante para Isadora.Ela mergulhava em planilhas, participava de reuniões estratégicas, comandava sua equipe com firmeza — tudo para tentar afastar a lembrança do calor da respiração de Dominic tão perto da sua pele. Mas ele estava lá. Sempre. À espreita. Como se soubesse exatamente quando ela estava vulnerável.Dominic, por sua vez, estava ficando inquieto. O jogo que antes era apenas uma provocação divertida agora se tornava uma obsessão silenciosa. Isadora não saía de sua mente. Ele tentava manter o foco nos negócios, nos relatórios que exigiam sua atenção, mas a lembrança dela — os olhos desafiadores, o corpo tenso, os lábios que tremiam entre o desejo e o autocontrole — o consumia.Ele sabia que estava cruzando limites. Sabia também que quanto mais ela resistia, mais ele a desejava. Mas havia algo mais profundo ali. Uma mulher como Isadora não era só um desafio. Ela era uma tempestade. E ele estava cada vez mais disposto a ser levado por ela.N
O fim de semana chegou como um suspiro aliviado para Isadora. Ela precisava de distância. Do trabalho. De Dominic. De si mesma.Passou o sábado inteiro em casa, evitando ligações, ignorando mensagens e tentando preencher o tempo com coisas mundanas: lavou roupas, reorganizou livros, preparou um jantar elaborado só para si. Mas nada parecia suficiente para calar os pensamentos que martelavam em sua cabeça.Dominic.Ele era como uma febre que não passava. Um pensamento constante, que se infiltrava em cada espaço vazio de sua mente. Era frustrante, irritante e, acima de tudo, inevitável.Na manhã de domingo, ela decidiu sair para caminhar no parque. O céu estava nublado, o ar levemente úmido, e a tranquilidade do lugar parecia o oposto exato do caos interno que ela vivia. Caminhou por mais de uma hora, respirando fundo, tentando encontrar equilíbrio.Mas então, seu celular vibrou.Dominic.“Podemos conversar? Só conversar. Juro.”Ela ficou parada por um longo tempo, olhando para a mensag
A semana começou com um silêncio inquietante.Isadora entrou na empresa com a cabeça erguida e o coração acelerado. Desde o encontro no café, ela não trocara uma palavra sequer com Dominic. Não respondeu suas mensagens. Não buscou por ele nos corredores. Estava decidida a manter distância. Precisava provar a si mesma que ainda tinha o controle.Mas bastou entrar no elevador e vê-lo ali, de terno cinza escuro e o olhar cravado nela, para perceber o quanto sua decisão era frágil.Eles ficaram em silêncio. O espaço fechado parecia menor do que de costume, e o ar se tornava mais denso a cada andar que passava. O perfume dele, amadeirado e marcante, a envolvia como uma lembrança viva daquela confissão no café.Dominic, por sua vez, se manteve imóvel, mas atento. Observava cada movimento dela com discrição: os dedos apertando levemente a alça da bolsa, a respiração controlada, o maxilar tenso. Ele respeitaria o espaço que ela pediu. Mas isso não significava desistir.Quando o elevador parou
Isadora passou os dias seguintes mergulhada em silêncio. Trabalhar era a única coisa que a mantinha à tona. Evitava Dominic com precisão cirúrgica — agendava reuniões em horários distintos, pedia a outros colegas para representá-la em encontros em que sabia que ele estaria presente. Era uma dança cuidadosa, milimetricamente calculada, como se a proximidade com ele fosse uma corda bamba estendida sobre um abismo.Mas, mesmo mantendo distância física, ele habitava sua mente.Ela pensava nele enquanto revisava contratos, ao pegar seu café da manhã, quando se olhava no espelho antes de dormir. Pensava em como ele a olhava, em como falava com ela, no som da sua respiração quando se aproximava demais. Aquilo era enlouquecedor.No meio da semana, decidiu sair mais cedo do escritório. Precisava de ar, precisava da liberdade que só a cidade noturna oferecia. Caminhou pelas ruas como se procurasse respostas em vitrines acesas, em rostos desconhecidos, em passos apressados.Parou em frente a um
O sol filtrava-se suavemente pelas cortinas do quarto, tingindo o ambiente com tons dourados e quentes. Isadora abriu os olhos devagar, sentindo a maciez dos lençóis contra a pele nua. Por um instante, não soube onde estava. Mas então o cheiro dele, amadeirado e envolvente, trouxe tudo de volta.Dominic.O corpo dele ainda estava ali, adormecido ao seu lado. Ela se virou devagar, observando seus traços fortes, a serenidade que só o sono poderia conceder a alguém tão intenso. Ele estava com o braço estendido sobre o travesseiro, o peito subindo e descendo em um ritmo calmo. Parecia tão… diferente. Vulnerável. Humano.Isadora suspirou e fechou os olhos por um momento. Sentia-se preenchida e vazia ao mesmo tempo. A noite anterior ainda dançava em sua pele como um segredo quente. Eles haviam se entregado um ao outro com tanta intensidade que parecia que o mundo havia parado.Mas o mundo, infelizmente, não parava.Ela levantou-se devagar, pegou a camisa dele do chão e vestiu. Caminhou até