O silêncio naquela sala era denso, quase sólido. O som do relógio de parede marcava cada segundo como um lembrete cruel de que o tempo não voltava. Sentados frente a frente, pai e filho tentavam se encarar. João mantinha os olhos fixos no chão por alguns instantes. Roberto, em pé diante da janela, com os braços cruzados, parecia preso entre a raiva e a tristeza.
Foi Roberto quem quebrou o silêncio primeiro.
— Você a ama?
A pergunta saiu seca, como um tiro. Mas havia um tremor nela que denunciav