A mansão não estava silenciosa.
Estava em suspensão.
Homens se moviam com cuidado demais, como se o ar pudesse quebrar. Telefones vibravam e eram silenciados. Olhares se cruzavam rápido e desviavam mais rápido ainda.
No quarto, Ayla sentiu primeiro como um aperto no estômago.
Depois, o mundo deu um passo em falso.
Ela levou a mão ao colar, respirou fundo — não adiantou.
— Merda… — murmurou, sentando na cama.
A porta se abriu quase no mesmo segundo.
— Eu sabia — Lia disse, já atravessando o quarto. — Você ficou pálida no café.
— Não é nada — Ayla tentou levantar. Falhou.
Lia a segurou firme. — Não minta pra mim. Você mente mal quando está mal.
Ayla respirava curto agora. — É como se… tudo estivesse acelerado. E pesado. Ao mesmo tempo.
— Ótimo — Lia respondeu, prática. — Crise existencial com sintomas físicos. Vem, deita.
Ela pegou um copo d’água, sentou-se ao lado e falou num tom que não admitia discussão:
— Olha pra mim. Respira comigo. Um… dois…
Ayla obedeceu, mesmo contrariada.
— Ma