Ayla saiu do quarto devagar, ainda com o gosto amargo na boca, como se o corpo estivesse tentando expulsar algo que não era físico. Cada passo parecia exigir mais esforço do que deveria.
Lia percebeu na hora.
— Ei — chamou, virando-se. — Você não está andando normal.
— Eu tô — Ayla respondeu rápido demais.
— Não, não tá.
Lia segurou o braço dela com firmeza, não agressiva, mas irredutível. — Senta. Agora.
Ayla obedeceu, sentando-se no banco perto da janela. O sol batia fraco, mas nem isso parecia alcançar o que ela sentia por dentro.
— Desde quando você começou a esconder dor assim? — Lia perguntou, cruzando os braços.
Ayla soltou um riso curto, sem humor. — Desde que esconder virou sobrevivência.
Silêncio.
Lia respirou fundo. — Eu vi você mudar.
Não foi de uma vez. Foi… em camadas.
Ayla manteve o olhar fixo na janela.
— Um ano atrás — Lia continuou — você falava baixo, pedia desculpa até quando não devia, ficava vermelha quando alguém te elogiava.
— Isso não é útil aqui — Ayla murmu